Fórum de Energia Home-Page do FNSE Mapa do Site Área Restrita OK

Notícias

  • Linhão de Belo Monte começa com 6 mil km
    O governo federal se organiza para colocar em andamento as obras para o complexo de transmissão da energia que será gerada na megausina de Belo Monte (11,233 mil MW) que está em construção pela Norte Energia no rio Xingu (PA).
    A produção será escoada para as Regiões Sul, Sudeste e Nordeste e Distrito Federal por meio de dois linhões que ainda estão em estudo pelo Ministério de Minas e Energia e por seccionamentos de linhas que serão direcionadas para as três regiões geográficas brasileiras. São essas linhas regionais que irão à disputa ainda este ano, os primeiros lotes em agosto e o restante em novembro ou dezembro. Somente esses trechos iniciais somam mais de 6,1 mil quilômetros de extensão e estão sendo chamados de pré-Belo Monte.

    De acordo com o planejamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a ideia é de começar o processo de licitação desses empreendimentos, que servirão para o escoamento da energia de Belo Monte antes do tronco principal, que ligará a subestação de Xingu, a cerca de 20 quilômetros da hidrelétrica, que está em construção, mas que passará por ampliação. De lá sairão dois circuitos: um deles chegará ao noroeste do Estado de São Paulo e o outro até Nova Iguaçu, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

    "Essa será a primeira etapa do complexo de transmissão, que contará com um linhão principal que ligará o Pará aos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Esses primeiros leilões serão realizados para que os projetos estejam prontos para serem conectados a Belo Monte quando terminarmos a linha principal", explicou Jandir Nascimento, superintendente de Concessões e Autorizações de Transmissão e Distribuição da Aneel. De acordo com ele, esse tronco ainda não está definido e os estudos precisam ser finalizados para ter a extensão e a expectativa de investimentos.

    Uma das explicações para a antecipação da disputa pelos projetos passa pela dificuldade que os investidores em empreendimentos dessa natureza têm encontrado para obter o licenciamento ambiental. Um exemplo recente é o das usinas do Madeira, Santo Antônio e Jirau, cuja linha de 2,381 mil quilômetros foi leiloada no final de 2008, e a liberação do documento que autorizava as obras, emitida apenas 30 meses após o certame. Nascimento disse que o governo continua estudando a possibilidade de colocar em leilão projetos de transmissão com a licença prévia emitida, assim como já é feito para as hidrelétricas, mas que isso seria feito apenas para projetos considerados estruturantes, assim como o novo Linhão que cortará o País.

    Segundo o planejamento da agência reguladora, os lotes que serão leiloados ainda este ano na tensão de 500 kV passarão pelos Estados de Tocantins, Piauí, Bahia, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. E ainda deverá haver outras interconexões a essas linhas. O investimento ainda não foi calculado pela Aneel.

    Atrasos

    Essa questão dos atrasos na concessão das licenças ambientais tem causado um problema na Região Nordeste, principalmente para os empreendimentos eólicos que estão prestes a entrar em operação. Acontece que as obras das linhas estão atrasadas, conforme o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, já havia mencionado. A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), na tentativa de dar um caminho para essa questão, se reunirá com empreendedores amanhã para atualizar os dados e verificar as possibilidades para minimizar o problema. Cogita-se até mesmo cobrir os contratos de venda de energia firmados pelos geradores que não terão as linhas de transmissão prontas a tempo.

    "Essa é uma possibilidade", afirmou o diretor-financeiro e de Relações com Investidores da Chesf, Marcos Cerqueira. Segundo ele, as obras estão todas atrasadas por conta justamente da demora a obter o licenciamento, que é emitido pelos estados. "Estamos conversando com os governos estaduais para encontrar a melhor solução para esse problema", comentou Cerqueira, que destacou ainda o papel de vetor de desenvolvimento da companhia na região, assim como o Banco do Nordeste e a Sudene.

    Para mostrar que está pronta para enfrentar esse problema dos atrasos, a Chesf mudou a metodologia de trabalho com os lotes que arrematou na sexta-feira, durante o terceiro leilão do ano. A empresa procurou minimizar os riscos com o adiantamento de tudo o que poderia ser feito fora das obras. Foram fechados pré-contratos com fornecedores e as conversas para a aquisição de terrenos já foram iniciadas. "Assim ficamos apenas com o risco do prazo da licença de instalação, fato que reduz o tempo de construção porque já está tudo acertado", disse ele.

    Cerqueira reforçou ainda que a intenção da empresa é de participar dos leilões de transmissão para o complexo de Belo Monte.

    Leilões

    Na sexta-feira, a Chesf, subsidiária da Eletrobras, foi a única a arrematar lotes de transmissão no leilão da Aneel realizado na sede da BM&FBovespa;, em São Paulo. A companhia levou os três lotes para os quais apresentou propostas com deságio médio de 22,8%, todos eles localizados na Região Nordeste. O único na Região Sudeste, em Minas Gerais, para a construção e operação de uma linha de transmissão de 90 quilômetros não recebeu propostas e deverá ser encaminhada a uma nova disputa após análise da comissão especial de licitação da Aneel. Os investimentos previstos para as obras somam R$ 444 milhões e têm prazo de 20 meses para ficar prontas.

    O executivo disse que a companhia também possui um parque de geração eólica que deveria entrar em operação em janeiro de 2013, mas que provavelmente não ficará pronto justamente pela falta do documento ambiental. O parque de Casanova, cuja capacidade instalada é de 180 MW, e que será erguido a 60 quilômetros do Município de Sobradinho, está à espera do licenciamento desde o leilão ocorrido em 2010.

    Fonte: Gás Brasil - SP - 23/04/2012
FNSE - Fórum Nacional de Secretarios de Estado para Assuntos de Energia